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quinta-feira, 28 de julho de 2011

AZUL

AZUL – BLUE – BLEU – BLAU – BLU



Tem muito azul em torno dele
Azul no céu azul no mar
Azul no sangue à flor da pele
Os pés de lótus de Krishna
Tem muito azul em torno dela
Azul no céu azul no mar
Azul no sangue à flor da pele
As mãos de rosa de Iemanjá
Os pés da Índia e a mão da África
Os pés no céu e a mão no mar...


PÉRICLES CAVALCANTI



ANIL, AZUL REAL, AZUL BLAZER, AZUL OXFORD, TURQUESA, CÓSMICO, PORTUÁRIO, AZUL SAFIRA, AZUL MEDITERRÂNEO, AZUL ECLESIÁSTICO, MARINHO, CELESTE, CERÚLEO, LÁPIS LAZULI, ULTRAMAR, PETRÓLEO...


Já  não necessito de ti
tenho a companhia nocturna dos animais e a peste
tenho o grão doente das cidades erguidas no princípio doutras galáxias, e 
o remorso...


Um dia pressenti a música estelar das pedras, abandonei-me ao silêncio
é lentíssimo este amor progredindo com o bater do coração
não, não preciso mais de mim
possuo a doença dos espaços incomensuráveis
e os secretos poços dos nómadas...


Ascendo ao conhecimento pleno do meu deserto
deixei de estar disponível, perdoa-me
se cultivo regularmente a saudade de meu próprio corpo.
AL BERTO





O AZUL É A COR MAIS PROFUNDA, FRIA, IMATERIAL E PURA QUE EXISTE...
Cor do firmamento, do céu, do paraíso. Simboliza a verdade e a sabedoria divinas. Em todas as mitologias, é a cor que se associa aos deuses.  Vários dentre eles surgem desta cor: Osíris, Krishna, Vishnu, Bouddha, Júpiter, Zeus e Yavé mantinham os pés no azul celeste.
O azul é a cor da verdade para os Egípcios. Para os cristãos é a cor da imortalidade, da fidelidade, da castidade, da lealdade e da justiça. Simboliza a espiritualidade, a contemplação, a passividade e favorece a meditação. O azul claro reflete o inacessível e a evasão.


Que poderei de mim mais arrancar
P'ra suportar o dom da tua mão,
Anjo rubro do vento e solidão
Que me trouxeste o espaço, o deus e o mar?


No céu, a linha última das casas
É já azul, alada, imensa e leve.
Nenhum gesto, nenhum destino é breve
Porque em todos estão inquietas asas.


Depois ao pôr do sol ardem as casas,
O céu e o fogo passam pela terra,
E a noite negra vem cheia de brasas
Num crescendo sem fim que nos desterra.

SOPHIA DE MELLO BREYNER





Na China a cor azul simboliza o Tao, a Via sagrada, o princípio insondável dos seres.

ASTECAS
O azul turquesa dos astecas era, ao mesmo tempo, um sinal de seca e de incêndio; era também a pedra que ornava a deusa da renovação e a pedra que era colocada no lugar do coração de um príncipe morto, antes deste ser cremado.

BUDISMO
No budismo tibetano, o azul representa sabedoria transcendente e o vazio que abre a via da liberação.

YANG
O azul é a cor do YANG.


Annie Mollard-Desfour, linguista e pesquisadora do simbolismo das cores atesta que a cor azul, assim como a preta, teve seu simbolismo mudado em nossa sociedade contemporânea. Antes cor negligenciada (no latim blavus – “pálido”… caeruleus – “azul, azul céu, cerúleo”, glaucus – “esverdeado pálido ou acinzentado”, lividus – “azulado lívido”) e considerada uma cor negativa (aquela da morte, dos infernos, das pinturas dos Bárbaros guerreiros e dos olhos das sedutoras medievais), o azul se tornou uma cor consensual e valorizada em nossa sociedade atual: a cor do sonho, do ideal, das grandes instituições francesas e de várias internacionais (o azul da bandeira do Conselho Europeu, da ONU, dos casquetes azuis); na França as tarifas azuis e os números “azurs”, menos caros... O azul também é a cor da masculinidade (macacãozinho azul dos meninos, em oposição às roupinhas cor de rosa das garotas)... é também a cor do jeans, da música “blues” e da comunicação.


Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.


Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

SOPHIA DE MELLO BREYNER
    


Não mais sabemos do barco
mas há sempre um náufrago:
um que sobrevive
ao barco e a si mesmo
para talhar na rocha
a solidão...

ORIDES FONTELA



Devastada era eu própria como cidade em ruína que ninguém reconstruiu. 
Mas no sol dos meus pátios vazios a fúria reina intacta
E penetra comigo no interior do mar ...
Porque pertenço à raça daqueles que mergulham de olhos abertos
E reconhecem o abismo pedra a pedra anémona a anémona flor a flor ...
E o mar de Creta por dentro é todo azul oferenda incrível de primordial alegria
Onde o sombrio Minotauro navega ...


 O MINOTAURO - 
SOPHIA DE MELLO BREYNER

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