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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

COIFFURE DE BOUDOIR - PERUCAS

Você sabia que a peruca não era apenas um acessório de beleza, mas, durante longo período, era item indicador do status social dos indivíduos da sociedade francesa?

Você sabia que os peruqueiros franceses eram proprietários de banhos públicos e cuidavam da higiene das pessoas? Mais interessante ainda: descubra que os ‘barbeiros’ são os precursores dos cabeleireiros e que nas barbearias eram inclusive realizados atos cirúrgicos...






Descubra mais detalhes sobre estas curiosidades no post que preparei abaixo!




A MODA DA PERUCA NO SÉCULO XVI

Após a queda do império romano, o uso das perucas desapareceu na Europa até o século XVI, quando este acessório voltou à moda para esconder a calvície ou melhorar a aparência das pessoas. Em uma época onde os banhos eram ‘a seco’ e era costume raspar a cabeça, as perucas evitavam as infecções capilares e eram acessórios coadjuvantes na manutenção da higiene.




A IDADE DE OURO DAS PERUCAS





Inicialmente destinada a imitar os cabelos naturais, a peruca tornou-se um objeto de moda ditado pela corte francesa, passando a ser um símbolo importante do status social dos indivíduos.
Em 1620, a moda da peruca foi lançada na França por Louis XIII que perdera os cabelos com 30 anos de idade e desejava mascarar sua calvície; esta moda rapidamente ganhou o restante da Europa durante o reinado de Louis XIV (que usava uma peruca alta para parecer maior) e perdurou até a Revolução Francesa.

Na Inglaterra, a rainha Elisabeth usava uma peruca ruiva característica que imitava os cabelos cacheados “à moda romana”.

O século XVII foi incontestavelmente a idade de ouro das perucas, pois era imperativo que todos os cavalheiros, aristocratas, magistrados, militares, padres ou mercadores usassem este acessório em seus trajes de cerimônia.


A profissão de ‘peruqueiro’ gozava de um enorme prestígio. A corporação destes profissionais foi criada na França em 1665, e o ofício era considerado como um trabalho de mestre, que exigia grande qualificação.



As perucas eram, neste tempo, extremamente imponentes, exuberantes e se tornavam obrigatoriamente brancas ou acinzentadas, por causa da usual aplicação de pó.
Os modelos mais belos eram fabricados com cabelos humanos e os mais acessíveis eram feitos com pelos de cavalos.




EVOLUÇÃO



A partir do século XVIII, as perucas foram se tornando menores e menos formais e passaram a ser incluídas nos uniformes de várias profissões. Resquícios deste uso perduram nas audiências de advogados e juízes ingleses e de alguns países pertencentes à Commonwealth.
A partir de 1960, notamos um retorno acentuado do uso deste acessório, na moda feminina, graças ao desenvolvimento de fibras sintéticas mais baratas.



PERUQUEIRO


No reinado de Louis XV, a profissão de peruqueiro revestia-se de grande importância. Os indivíduos do terceiro estado, da nobreza e da igreja distinguiam-se uns dos outros pela peruca que usavam.



O profissional peruqueiro não era ‘apenas’ aquele que fazia as perucas. Ele era também barbeiro, ‘étuviste’ (proprietário de um estabelecimento de banhos públicos)  e ‘baigneur’ (pessoa que cuidava da higiene das pessoas).

Paris  exportava suas perucas para a Espanha, a Inglaterra, a Alemanha e diversos outros países e, no fim do século XVIII, a França possuía cerca de 850 peruqueiros. Todos possuíam direito de comercializar cabelos por atacado ou a varejo assim como de fabricar e vender pós, pomadas, substancias para os dentes e demais produtos para a limpeza do rosto e da cabeça.
A gilete era um instrumento de cirurgia. Os barbeiros-cirurgiões tinham também o direito de fazer a barba dos clientes, e suas lojas deveriam ser pintadas de cor vermelha ou preta (a cor do sangue ou a cor do luto) assim como deveriam ter bacias de cobre que sinalizassem a boutique (fazendo oficio de placas); já os peruqueiros deveriam ostentar bacias brancas em suas portas.

Em suas boutiques, os  peruqueiros arrumavam os cabelos dando-lhes um aspecto agradável, escondendo os buracos, fabricando topetes, encaracolando, alisando cabeleiras diversas para cavalheiros, nobres, padres, militares.




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O BARBEIRO, OS ANCESTRAIS DOS CABELEIREIROS E OS CIRURGIÕES

No século XVIII, o trabalho dos cabeleireiros era executado sobretudo nas cabeças femininas, enquanto os peruqueiros trabalhavam com as perucas e barbas dos homens.

Novos cortes de cabelo, assim como novos chapéus e bonés, freqüentemente altos, eram fabricados para as mulheres. Os cabelos se inspiravam nos modelos da Antiguidade.

No Antigo Regime, o ofício do ‘barbeiro’ agrupava três profissões diferentes : o barbeiro, o barbeiro peruqueiro (antigos ancestrais dos atuais cabeleireiros)  e o barbeiro-cirurgião, que também realizava pequenas cirurgias. Progressivamente estas profissões foram se diferenciando.

Até 1714, os barbeiros e os cirurgiões eram considerados uma só profissão. Esta profissão existia desde a Idade Média, época na qual os atos cirúrgicos foram sendo condenados pela igreja. Em 1215, o Concílio de Latrão proibiu explicitamente o exercício da medicina pelos padres. Os membros do clero eram praticamente todos médicos e foram proibidos de praticar a cirurgia. Por esta razão, pequenas intervenções cirúrgicas começaram a ser realizadas por membros de outras profissões: os arrancadores de dentes, os mercadores das feiras ou os barbeiros.
Contrariamente aos médicos, que freqüentavam a universidade, liam livros científicos, os barbeiros cirurgiões e os cirurgiões eram artesãos sem estudo, que não tinham aprendido o latim, mas eram exímios em manipular a gilete e tratar as doenças externas.

Os cirurgiões barbeiros tinham como função barbear, sangrar, purgar e tratar os pequenos males cotidianos. Para entrar na comunidade profissional, era necessário aprender a profissão através de um estágio com um profissional e realizar um trabalho de fim de estudo.


EMANCIPAÇÃO DA CIRURGIA

Desde o fim do século XIII, na capital francesa, alguns cirurgiões começaram a deixar o trabalho da barbearia para os barbeiros mais simples e passaram a se dedicar à parte cirúrgica da profissão. Eles se reagruparam em confrarias e passaram a usar uma roupa longa e um boné quadrado, que era até então reservado aos médicos. Isto originou um longo conflito com os médicos, que durou até a Revolução, quando houve a união entre as profissões de médico e cirurgião. Em 1691, através de uma lei do rei, ocorreu a separação das duas profissões: -cirurgiões e -barbeiros peruqueiros.

 Na primeira metade do século XVIII foi criada a Academia real de cirurgia e implantou-se a obrigatoriedade de se obter um mestrado para exercer a profissão de cirurgião.





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