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terça-feira, 20 de setembro de 2011

PERFUME DE BOUDOIR...



Descubra porque o perfume passou a ser acessório de higiene de primeira necessidade a partir da idade média e porque a indústria deste “cosmético” conheceu grande desenvolvimento durante séculos na Europa. Este post e diversos outros que estão sendo preparados sobre o tema, levarão você até as notas de coração, cabeça e fundo da história dos perfumes...


EM VERSALHES...

Alguns documentos relatam que o parque e os jardins do castelo de Versalhes, assim como tantos outros castelos de nobres franceses, tinham seus cômodos internos repletos de odores que causavam náuseas pois as latrinas não existiam e os corredores, as passagens de comunicação entre as alas e os prédios continham restos de urina e matéria fecal. Do mesmo modo, a Avenida de Saint-Cloud era coberta por águas sujas e gatos mortos. 

Na corte de Versalhes, os sachês, as luvas e os leques eram acessórios perfumados que os cortesãos usavam com generosidade para não apenas mostrarem o lugar que ocupavam na escala social, mas também para lutarem contra uma atmosfera completamente pestilenta que os cercava.


No reino de Luís XV, a proliferação do uso dos perfumes foi tão extensa que a corte da França recebeu o apelido de “a corte perfumada”.


A TOALETE REAL

A toalete de Louis XIV, descrita pelo duque de Saint Simon relata a inexistência do uso da água. O único ritual de lavagem seguido pelo Rei Sol consistia no fato de lavar as mãos com vinho. 
Na verdade, a higiene do século XVII possuía regras bem diferentes das nossas visto que evitava exatamente o contato com a água, elemento considerado nocivo. Por outro lado, havia um uso exacerbado dos produtos perfumados.


A PESTE NEGRA

Desde 1348, com o surgimento da peste negra, não apenas os reis, mas todos os europeus passaram a evitar a água. Os médicos começaram a desaconselhar os banhos quentes, pois estes começaram a ser apontados como agentes enfraquecedores do organismo. Acreditava-se, na época, que  a água abria os poros da pele para a entrada do ar da peste. Este medo da água e do banho cresceu ainda mais no século XVI e teve seu apogeu no século XVII. Os produtos aromáticos apareceram dentro deste contexto, para substituirem a água.


Nesta época, a classe médica acreditava que os perfumes das flores, das raízes e das madeiras veiculavam a energia própria de cada vegetal e, segundo uma tradição herdada dos gregos, achavam que os temperos queimados pelo sol adquiriam uma natureza ígnea e eram incapazes de apodrecer, por esta razão, tornavam-se o melhor remédio para combater as doenças. Destarte, acreditavam que as substancias aromáticas possuíam inúmeros poderes e que continham uma energia particular capaz de purificar, curar e fortificar o corpo e o espírito. Além de profiláticas, eram tidas como capazes de reforçar as defesas naturais do organismo e combater as paixões tristes (o temor e a tristeza, que favoreciam a chegada da doença)...


PERFUMES E MEDICINA
Os perfumes eram considerados como purgantes que eram usados para equilibrar a higiene interna das pessoas.. Impedindo a pletora, eles  proporcionavam a limpeza dos órgãos e do sangue assim como também lavavam a pele sem fragilizá-la, além de protege-la do ar externo.


Esta promoção higiênica e profilática dos temperos explica seu uso intenso na fabricação de perfumes, sabonetes, sachês perfumados.. Ficar limpo implicava esfregar a pele com sabonetes de limão, laranja, lavar as mãos e o rosto com vinagres perfumados e se perfumar com águas de colônia ou untar as mãos com pastas de íris, benjoim e amêndoas doces. Os dentes deveriam ser esfregados com opiáceos feitos à base de canela, laranja, limão ou cravo. Os cabelos deveriam ser limpos com óleos de sândalo, rosa, jasmim ou alfazema. Nesta época havia uma estreita união entre a medicina e a perfumaria.

A água de colônia da Rainha da Hungria era indicada para os tumores, as contusões, as queimaduras. Tanto Madame de Sévigné quanto Madame de Maintenon eram consumidoras compulsivas deste ‘perfume’ medicinal.
Os médicos concediam imensa importância aos aromas, às emanações e aos perfumes porque acreditavam que os odores possuíam o poder singular de invadir e penetrar dentro dos corpos e curar. Esta grande confiança depositada nos sutis odores provocou um grande desenvolvimento e a expansão dos produtos perfumados. Na mesma época surgiram várias invenções destinadas a associar os perfumes à profilaxia: os bonés perfumados (que eram usados sobretudo pelos idosos, para proteger do frio e das gripes), os lenços aromatizados, que eram usados para lavar o rosto a seco, os lençóis aromáticos, usados para embalar e enterrar os mortos pela peste...
Para aumentar o poder dos produtos aromáticos, médicos e farmacêuticos passaram a utilizar diversas substancias extraídas do reino animal e mineral. O uso de preparados aromáticos de pulmão de raposa, gordura de urso, escorpiões, cinzas de salamandra, fígado de lobo, óleo de minhoca, chifre de cervo, ouro, prata ou pérolas, sangue, urina e excrementos, tinha a finalidade de potencializar o odor dos perfumes. Na verdade, o odor era considerado ‘a alma do remédio’.
A partir do século XVIII, o uso da água foi progressivamente sendo feito, mas ainda que o castelo de Versalhes começasse a possuir alguns banheiros, as pessoas continuaram se limpando com os produtos perfumados, reputados mais seguros e protetores.


Na segunda metade do século XVIII, aconteceu uma evolução decisiva, graças aos progressos da química, a perfumaria coeçou a se desligar da medicina e a se tornar autônoma. Em uma época de filosofias sensualistas, os fabricantes de perfume passaram a acentuar o olfato, a sensualidade e não mais centraram suas preocupações nas doenças e nos tratamentos. Alguns ingredientes animais e minerais que anteriormente dinamizavam os perfumes, começaram a ser abandonados. Os fabricantes de perfume pararam de evocar as virtudes profiláticas e terapêuticas de seus produtos.



Hoje estejamos vivendo uma era racional, mas, ainda assim, os poderes extraordinários que eram evocados durante séculos subsistem em nosso consciente coletivo. Podemos notar isso através dos nomes que foram sendo dados aos perfumes ao longo destes séculos mais recentes: Magie Noire (Magia Negra) de Lancôme, Mystère (Mistério) de Rochas, La Vie (A vida) de Dior... com certeza, os poderes vitais que eram atribuídos aos perfumes ainda existem em nosso imaginário olfativo!

2 comentários:

  1. Simplesmente, amei... Quero ver muitos outros posts sobre esse assunto aki.
    As meninas... ai Cristo... que gracinhas... quem são?

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  2. As meninas são clientes do nosso estúdio de fotografia LE GRAIN. Ambas fizeram Book Infantil aqui.

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