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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

BREVE HISTÓRIA DO PERFUME

Fazendo minhas pesquisas para escrever posts sobre história e beleza, descobri o interessantíssimo blog da Tina que se intitula:  ‘ LA FEMME AU XVIIIe SIÈCLE’. 




Entrei em contato com a autora que gentilmente me concedeu a permissão para que eu faça a tradução do que eu considerar interessante publicar no Boudoir da Maquiagem. Tina é francesa e é louca por história antiga, principalmente aquela que se refere ao século XVIII. Assim como eu, Tina é formada em Letras Modernas e é autora de diversos romances, novelas e poemas. 
Os capítulos do blog de Tina subdividem-se em posts sobre: Famílias reais, Atrizes, Mulheres Mundanas, Intelectuais, Revolucionárias, Arquitetura, Decoração, Beleza, Educação, Moda, Paris, Versalhes, Interior da França… como vocês podem ver, um material riquíssimo e cheio de informações… Vamos então mergulhar no primeiro post que eu traduzi e que retrata brevemente a história dos perfumes.
Para quem desejar conhecer o blog, aqui está o link:

BREVE HISTÓRIA DO PERFUME


A história do perfume começou quando os antigos mesopotâmios começaram a usar incensos para atenuar o odor da carne queimada dos animais que eram oferecidos em sacrifício aos deuses. Os incensos também eram usados por estes povos durante as práticas de exorcismo, no tratamento de seus doentes e após as relações sexuais.
A etimologia latina da palavra ‘per’ + fumum (através da fumaça)  já nos indica a ligação dos perfumes com os incensos e aponta para o modo como os antigos incensos perfumados eram preparados: mexer, sobre o fogo... assim, o incenso preenchia o céu com uma fumaça mágica. No cume da célebre torre de Babel (um zigurate), os sacerdotes acendiam montes de incenso.
Podemos supor que, no início, o uso dos perfumes era consagrado apenas aos deuses. Posteriormente este uso foi sendo estendido aos sacerdotes, depois aos chefes e assim por diante, até atingir todas as classes sociais.
A primeira civilização que usou perfumes com grande regularidade foi a egípcia. Inclusive as práticas de embalsamento deste povo requeriam especiarias e ungüentos especiais. Os perfumes se tornaram uma obsessão nacional durante o reinado da rainha Hatshepsout (do Novo Império, que durou de 1558 a 1085 antes de nossa era). Hatshepsout criou grandes jardins botânicos e cultivava o costume de acender incensos nos terraços que conduziam aos templos. O povo egípcio também usava perfumes no corpo a fim de afastar o mal olhado e produzia loções de beleza com finalidades terapêuticas.




Os Egípcios descobriram o método de ‘enfleurage’ (que consiste em extrair óleos instáveis através do processo de colocar as pétalas imersas em uma placa com óleo vegetal ou animal sem cheiro e substituí-las diariamente por outras frescas e recém colhidas, até que o óleo tenha absorvido todo odor desejado da planta) e também criaram recipientes de vidro para guardar suas porções perfumadas. As técnicas das ‘millefiori’ e demais estilos que os venezianos redescobriram posteriormente, já eram utilizadas no Egito.
As mulheres egípcias guardavam seus perfumes ao lado de seus estojos de maquiagem. Durante as festas, elas  usavam um acessório em forma de cone, que era colocado no alto da cabeça: a cera do cone derretia lentamente e vertia minúsculas gotas de perfume sobre o rosto e os ombros. Após o banho elas também tinham o costume de se massagearem com óleos perfumados; nossa técnica moderna de aromaterapia tem suas origens no Antigo Egito!


Além disso, este povo antigo também usava diversas ervas e substancias de origem vegetal. A madeira de cedro era altamente apreciada em forma de incenso com a finalidade de proteger os papiros contra os insetos; o barco de Cleópatra era feito com madeira de cedro e as velas eram perfumadas. Suas mãos eram hidratadas com  “kyphi”, que continha óleo de rosa, açafrão e violeta; seus pés eram cobertos com loção de ”aegyptium”, loção de amêndoa, de mel, de canela, flores de laranja e henna e as  paredes de seu quarto eram repletas de rosas.

Ainda que os  gregos, herdeiros dos egípcios, usassem os perfumes para prestar homenagem a seus guerreiros mortos, o uso das loções também se estendia ao cotidiano, como terapia e como tratamento para os atletas.
A grandeza das termas egípcias e gregas inspiraram as gloriosas termas romanas.

Na Idade Média o perfume chegou à Europa através dos mestres seculares da perfumaria: os árabes. Entretanto, o cristianismo suscitou uma era espartana de pudor, de temor e a recusa dos sentidos. Não é supreendente observar, frente às orgias romanas, que o cristianismo tenha sido, no início, um movimento da classe dos escravos e dos pobres, um movimento que pregava a abnegação, o rigor, a idéia dos miseráveis como herdeiros da terra, o ideal de uma vida rica e livre após a morte e o castigo final dos ricos mergulhados nas eternas torturas infernais. Neste período nasceu o ódio pelas coisas do corpo e todas as sensações agradáveis foram condenadas. O candidato ao paraíso deveria resistir a todos os prazeres do gosto e do odor, do som, da vista e dos sentimentos. O prazer se tornou sinônimo do pecado. São Jerônimo recomendava que os homens escolhessem companheiras que jejuassem e, em decorrência disto, fossem pálidas e magras... O uso dos perfumes sofreu uma drástica queda, apenas quando os cruzados retornaram do Oriente, é que trouxeram, em suas bagagens, óleos, porções, e novos odores para reintroduzir o uso dos perfumes na Europa.


O Renascimento constituiu uma época transitória no que concerne a história do perfume. Nesta época, o perfume passou a ser sinal de nobreza e símbolo de sensualidade: os progressos da época e a descoberta das Américas trouxeram à cena novos odores. Catarina de Medici foi a responsável pelo lançamento da moda do perfume em Paris. Progressos técnicos importantes foram feitos no domínio da química e permitiram o aperfeiçoamento da destilação e da qualidade das essências. 
CATARINA DE MEDICI
A cidade de Grasse fundou sua reputação na fabricação de luvas de couro perfumadas e desenvolveu uma indústria que lhe deu o título de “Capital mundial do perfume”.  Desde o século XII, Grasse manteve contatos comerciais com Genova e com a Espanha. Com a invenção da impressão, diversas obras técnicas passaram a divulgar receitas de águas perfumadas com bases florais ou animais para o corpo, a casa e também receitas de perfumes secos destinados a serem usados em sachets, luvas ou cintos.


Plantação de lavanda em GRASSE
No fim do século XVII, a tendência se voltou para as essências naturais e campestres...
No século XVIII, a França dominava o comércio do perfume e abrigava os maiores perfumadores da Europa. A revolução francesa entretanto assistiu a uma regressão do comércio dos perfumes e dos cosméticos. A fase do Diretório observou  o retorno do frenesi pelo luxo e pelos perfumes e no século XIX, o perfume passou a ser novamente o centro das preocupações femininas. Durante este século, as grandes maisons de perfumes foram craidas: L.T Piver em 1813, Guerlain em 1828, Molinard em 1849, Roger et Gallet em 1862, Bourjois em 1868 e Coty em 1898.

A revolução industrial(1850) provocou uma mutação profunda no universo dos perfumes, com a invenção do método de extração que usam solvantes voláteis e utilizam  componentes sintéticos para reproduzir substancias naturais e criar novos odores. A fabricação dos perfumes se tornou industrial, o que permitiu, às classes médias, o acesso ao perfume, até então privilégio da elite.



John Trueman, no romance do perfume declara que : “ Os homens da Antiguidade se lavavam e se perfumavam. Os europeus da idade das tenebras não se lavavam e nem se perfumavam. Os da Idade Média e dos Tempos modernos, até os fins do século XVII eram sujos e perfumados. Os do século XIX se lavavam mas não se perfumavam.

Fonte: O Livro dos perfumes, op cit.

Um comentário:

  1. Bonjour Kris,

    Merci pour la traduction ainsi que pour le choix des illustrations ! J'adore votre fond de page !

    A bientôt - Tina

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