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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O AZUL E O VERMELHO




O azul foi uma cor ignorada e desvalorizada durante muito tempo. A partir do século XII, graças aos progressos das técnicas de coloração e tintura e também por razões simbólicas, graças ao culto da Virgem Maria*, a cor azul passou a ser considerada como nobre tornando-se inclusive a cor simbólica dos reis para se tornar, atualmente, uma das cores mais consensualmente valorizadas: é a cor das grandes instituições nacionais ou internacionais e também usada nos distintivos e para indicar mérito.





A palavra ‘vermelho’ tem origem no latim ‘vermillus’, que significa pequeno verme, por causa da cochonilha, inseto do qual é extraído o corante carmim. Era a cor mais estável, mas também a mais cara, o vermelho (particularmente o púrpura) foi a cor reservada à elite a tal ponto que os indivíduos comuns eram proibidos de vestir suas tonalidades, sob pena de morte. 



O vermelho era a cor que representava os reis, os chefes e os dignitários do exército , da igreja e da justiça... Era o símbolo do poder, da dignidade, do mérito e do aparato. Os nomes das matérias colorantes e dos tecidos prestigiosos de cor vermelha falam por si da história social desta cor, representativa de diversas instituições e dignidades: reis e imperadores, chefes de igreja (vermelho cardinal, púrpura cardinal, escarlate), magistrados, soldados do exército francês...  A língua exprime, em sentido figurado, a antiga glória e a excelência desta cor. Púrpura* designou, por metonímia, o poder, a dimensão, a riqueza; escarlate designou a primeira escolha, o mais distinto (vermelho escarlate da nobreza); Vermelho granada designava o que era magnífico... Curioso observar que, no século XX, o vermelho ainda possui esta aura de poder, mérito e de distinção (fita vermelha, tapete vermelho, rosa vermelha...)




Mitos contos e lendas populares refletem o simbolismo da cor vermelha com relação ao conhecimento e à ciência secreta: um boné vermelho e pontudo é usado por anões maliciosos dotados de poderes sobrenaturais, os gnomos (de gnomaï: conhecer), que são anões disformes que, na cabala, representam os gênios do mundo subterrâneo e detêm os segredos da terra, das pedras, dos metais preciosos, além de concederem alma às plantas e animais.




Durante muitos séculos, acreditou-se  que as pedras vermelhas, ligadas ao sangue e ao fogo, combatiam as hemorragias, fortificavam o sangue, o coração e favorizavam o esforço, a luta, a coragem. Assim, segundo uma tradição russa,  os rubis são bons para o coração, o sangue, a memória, o vigor. No ocultismo, o rubi é a  pedra dedicada a Marte que favoriza o esforço, a luta e a coragem. Por outro lado, as pedras azuis (ou pedras celestes) possuem o poder de lutar contra tudo o que é nefasto. A safira e a turquesa são consideradas poderosos talismãs contra o mal olhado no Oriente.




*Um pigmento caro e precioso, obtido da pedra azurita, era reservado para a pintura do manto da Virgem.
* A cor púrpura era obtida através de uma ostra marinha. Era necessário sacrificar milhões destes animais para obter o colorante púrpura, que era tão precioso quanto o ouro. 10.000 ostras permitiam obter um grama do colorante!


TRADUZIDO E ADAPTADO POR KRIS XIVA de artigos das seguintes obras: 
Dictionnaire des Symboles, 1982
Larousse des Pierres Précieuses, 1985
CNRS – Le Bleu et le Rouge – Annie Mollard Desfour

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