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quarta-feira, 17 de abril de 2013

BELEZA MEDIEVAL


Para ser considerada bela, a mulher medieval devia ter um rosto simétrico e branco, assim como olhos expressivos que detivessem uma força própria. As sangrias no rosto, muito recomendadas durante a idade média,  foram sendo pouco a pouco abandonadas. Hildegarde de Bingen, uma mística alemã, fundadora de vários monastérios da ordem dos Benedictinos, aconselhou em seu tratado “Des causes et des remèdes”  uma receita feita com cérebro, a fim de se obter cores sadias no rosto.


No século XIV, Jacques de la Marche autorizou o uso de blush para as mulheres virgens que procuravam um marido assim como para as mulheres gravemente enfermas. Ainda que pudessem recorrer ao artifício da maquiagem, as mulheres deste tempo deveriam continuar a orar contra a obra do diabo, visto que  “Maquiar-se com artifícios para parecer ou mais corada ou mais branca era considerado um pecado, uma enganação adúltera”...

A beleza medieval era jovem e adolescente, preferencialmente loira, com uma tez de lírio, lábios e bochechas cor de rosa. A testa era depilada para ficar mais alta, larga, lisa e brilhante. As sobrancelhas deviam ser marrons e finas; caso contrário, deviam ser depiladas com laminas e desenhadas. Os olhos eram brilhantes. Os seios deviam ser firmes e altos, pequenos, redondos. A cintura deveria ser fina e as ancas estreitas. Aos vinte e cinco anos, cansadas e acabadas por causa de tantas maternidades, as mulheres entravam no ‘deserto do amor’, dez anos depois já eram consideradas idosas.

Este quadro intitulado ‘Portrait de la jeune femme’ pintado por Rogier Van der Weyden em 1455, mostra o arquétipo deste tipo de beleza medieval: a testa raspada para aumentar o olhar. Sobrancelhas estreitas, as pálpebras arredondadas e proeminentes . A tez diáfana  apresenta-se sem maquiagem e os cabelos são loiros, trançados e aumentados com falsas mechas, assim como são ornados com fios de ouro e um véu. 

Vários produtos alimentares eram usados como tratamentos de beleza. O leite coalhado tratava as pústulas da pele, o suco de pepino tirava as sardas, a urtiga fervida embelezava a pele, o grão de bico deixava a pele lisa e a farinha de fava entrava na composição de máscaras noturnas de beleza.

A Virgem com a Criança, de Jean Fouquet (1450) é um outro quadro que representa a beleza medieval. Trata-se, na verdade, do portrait de Agnès Sorel, a amante do Rei Charles VII, travestida em virgem para a ocasião. Agnès Sorel era conhecida como sendo a “Dame de beauté’ por excelência. Ela mantinha sua tez pálida através da aplicação de uma máscara feita com cérebro de javali, minhocas e baba de escargot. 

Para manter os dentes brancos, havia diversas receitas de pastas ou pílulas, dentifrícios feitos com ossos de peixes, coral ou conchas.  Dentaduras eram feitas com ossos de vaca, com mármore branco, pérolas ou marfim.  
As autoridades religiosas se opunham às práticas de embelezamento, pois estas visavam corrigir a obra do criador. 

Traduzido e Adaptado por KRIS XIVA da obra "HISTOIRE DU MAQUILLAGE" - Des égyptiens à nos jours -MARTINE TARDY

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