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sábado, 22 de fevereiro de 2014



No século XVIII, o penteado era a peça fundamental da aparência feminina. Assim como os vestidos, o cabelo mudava constantemente.

Até 1774, impera o uso do ‘pouf aux sentiments” nos penteados, ou seja, as mulheres inseriam neles todo tipo de objeto que amavam, inclusive fios de cabelos e pelos de seus parentes e dos seres que apreciavam (pais, amantes, filhos, cães)!! Após a morte de Louis XV e do luto que se instaurou na corte, esta moda extravagante foi perdendo vigor.

Coiffure Belle Poule
Os 'Poufs' eram nada mais que pequenas almofadas feitas com cabelos artificiais enrolados em gazes que eram introduzidos nos penteados. Sobre estes eram colocados acessórios diversos: bibelôs, pássaros, flores, bonecas, legumes que exprimiam o gosto da pessoa que os usava

Em 1775, os chapéus com plumas passaram a fazer concorrência com as flores e as construções dos penteados foram se tornando tão altas que as mulheres tiveram grandes problemas para encontrar carruagens suficientemente altas para sair de casa. Algumas tinham que se ajoelhar para poderem ser transportadas, nos relatou Mme Campan em suas memórias.



Em 1778, o penteado ‘à la Belle Poule” (elaborado com cordas e uma miniatura de navio) se tornou moda. Este penteado recebeu o nome de um navio construído pelo rei Louis XVI.
Em 1780, Grimm anunciou uma ‘revolução no sistema dos penteados”: ‘os imensos grampos necessários para fixar e manter os altíssimos penteados tão em voga seriam muito perigosos. Tal ‘ferragem’ poderia atrair os relâmpagos em dias de tempestade”!

Em 1781, a tão predita revolução aconteceu : Marie Antoinette, grávida, perdeu muito cabelo e passou a adotar um penteado mais simples e de baixa estatura. Porém em 1782, a maluquice estava de volta com a baronesa de Oberkirch, que experimentou um novo penteado: ‘algo inovador, mas desconfortável: pequenas garrafas planas e curvadas na forma da cabeça, que continham água para manter os ramos de flores naturais e mantê-las frescas no penteado!”

Em 1783, o conde de Vaublanc desembarcou nas Antilhas e se surpreendeu com o penteado dos nativos: “cabelos bem encaracolados, extremamente hidratados e mantidos com pinos de ferro. Apoiados sobre estes, grandes grampos sustentam almofadas de tafetá negro”. Estas almofadas também eram sustentadas por dezenas de outros broches, flores, falsas tranças e caracóis de cabelos. E por trás disso tudo, mais cabelos se ligavam formando um imenso coque. Entre a almofada e os cabelos, algumas mulheres ainda ornavam enfeites feitos de crepe ou tafetá”...

Em 1784, surgiu a efêmera moda do catogan masculino. Tratava-se de um rabo de cavalo mantido por uma fita. Este também poderia ser enfeitado com um pequeno chapéu ou uma pluma ou ser representado de forma mais feminina, com tranças laterais denominadas ‘cadenettes’.




Não esqueçamos que durante a segunda metade de seu reinado, a rainha Marie-Antoinette se adaptou e abandonou a cor rosa, as flores e as roupas complicadas. Mas não acreditemos em Meme de Campan que assegurava que ‘seu penteado simplificou-se ao uso de um chapéu e, dentre estes, os mais simples eram os preferidos”... Sim, talvez os mais simples, mas certamente os mais caros...”

Tradução e adaptação: Kris Xiva
Revisão: Cláudia Inês Rocha Vieira
Artigo redigido por Tina Malet do blog ’Femme des lumières’

Les Français au temps de Louis XVI, François Bluche, Hachette Littérature, 1980


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